Resenha: O Teorema Katherine / An Abundance of Katherines – John Green

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Embora eu seja uma grande fã do John Green, esta é a primeira resenha que faço dos livros dele. Por um simples motivo: se eu leio algo que me deixa reflexiva, que muda minha vida em vários aspectos e que não me deixa ler outra coisa por vários outros dias, não consigo resenhar. Nada que eu escrevesse faria jus a tudo que A Culpa é das Estrelas representa.

Isto quer dizer que a leitura de Katherines não me fez pensar, surtar e não conseguir ler outra coisa por muito tempo? Longe disso. A grande diferença é que eu me conectei com Colin Singleton (o personagem principal da história) de uma forma tão grande que em alguns momentos eu não sabia se era o personagem ou eu que estava “falando” tudo aquilo. Dessa forma, eu resolvi me desafiar e fazer esta resenha, porque será sobre um livro e um personagem incrível e também sobre mim, de algum jeito.

Colin Singleton é um garoto que se preocupa demais em ser importante. Quando criança, incentivado pelos pais, Colin desenvolveu um intelecto impressionante. Ele pode falar onze (!!!) línguas diferentes e tem uma habilidade surpreendente com anagramas. Ainda pequeno, participou de um reality show para prodígios e venceu, o que marcou sua vida para sempre.

“The other day, I told Hassan I wanted to matter – like, be remembered. And he said, ‘famous is the new popular’. Maybe he’s right, and maybe I just want to be famous. I was thinking about this tonight, actually, that maybe I want strangers to think I’m cool since people who actually know me don’t”. Página 66.

Um dia desses, eu disse a Hassan que queria ser importante – tipo, ser lembrado. E ele disse, ‘famoso é o novo popular’. Talvez ele esteja certo, e talvez eu só queria ser famoso. Eu estava pensando sobre isso hoje à noite, e na verdade, talvez eu queria que estranhos pensem que sou legal porque as pessoas que realmente me conhecem não pensam isso”.

Singleton não teve de lidar com inimigos externos durante a sua vida, somente com o pior de todos os adversários: ele mesmo. Como se superar? Como deixar de ser um prodígio e se tornar um gênio? Essa pergunta move a vida dele e interfere de forma direta nos seus DEZENOVE (!!!) relacionamentos com garotas que tinham algo em comum: todas eram Katherines.

“Dating, after all, only ends one way: poorly. If you think about it, and Colin often did, all romantic relationships end in either (1) breakup, (2) divorce, or (3) death.” Página 14.

“Namoros, afinal de contas, só terminam de um jeito: miseravelmente. Se você pensar sobre isso, e Colin sempre pensava, todos os relacionamentos amorosos terminam em (1) rompimento, (2) divórcio, ou (3) morte.”

É depois de ter levado um pé na bunda da Katherine XIX que Colin entra numa super crise existencial e sai numa viagem de carro sem destino conhecido com seu melhor amigo, Hassan. Você vai rir muito com os diálogos entre os dois! Eles têm um mundo próprio, com piadas internas (John vai fazer você se sentir dentro da amizade, não vai te deixar sobrando e vai te explicar todas elas) e muitas, muitas sacadas nerds (mais uma vez, John vai te deixar por dentro! Nunca apreciei tanto as notas nos finais das páginas!).

Nessa viagem, Colin decide criar um teorema que basicamente fará um raio-x dos relacionamentos, com uma resposta principal: o tempo de duração do namoro. Tendo como base suas Katherines, ele acredita que o teorema é tudo o que ele precisa para deixar de ser um prodígio fracassado e se tornar um gênio. Reconhecido. Famoso.

Não é somente Colin que tem problemas, Hassan também tem muitos. A questão é que ele não quer admitir. Vive em casa, sem estudar, sem trabalhar, sentado num sofá, comendo besteira e assistindo Judge Judy. Durante a viagem, viram que o corpo de Arquiduque Franz Ferdinand (sim, aquele cujo assassinato “desencadeou” a Primeira Guerra Mundial) estava enterrado a alguns quilômetros de onde estavam e resolveram fazer uma visita ao local. É nesse momento que eles chegam em Gutshot, uma cidade pequenininha do Tennessee (infelizmente, a cidade é completamente ficcional!) e conhecem Lindsey, a guia do túmulo do arquiduque. O que eles não esperavam era conseguir um emprego com a mãe de Lindsey e resolver ficar por ali.

Gutshot e Lindsey mudarão o modo como Colin e Hassan enxergavam a vida, mas como isso aconteceu você só saberá lendo o livro! A história é narrada em 3ª pessoa e John Green tem uma explicação para isso: o personagem é péssimo em narrar histórias, então não seria tão verdadeiro. Você vai querer ler o livro com um marcador de textos, um bloquinho, com post-it, qualquer coisa do tipo, porque não vai conseguir deixar de anotar as melhores frases da história. Uma das minhas notas favoritas é:
“The risk of being able to win over anyone, he found himself thinking, was that you might pick the wrong people”. Página 113.

“O risco de poder conquistar qualquer pessoa, ele pensou, é que você pode acabar escolhendo as pessoas erradas”.

Esta história vai te fazer pensar sobre o que realmente importa, e logo você vai querer que todas as pessoas que você conhece também leiam este livro (pensei que este efeito só era causado por A Culpa é das Estrelas, mas não!). Com tanto humor, drama e nerdices”, eu não poderia deixar de dar 5 baldes de pipoca para Teorema Katherine.

561a7-5pipocas

p.s: O que torna John Green diferente de todos os outros autores na face da terra?
1 – A maneira como ele fala de assuntos científicos que te faz entender claramente.
2 – As referências a outros livros!
3 – Você aprende palavras em outras línguas!
4 – Se você não se conecta nem um pouquinho com nenhum dos personagens dele, tem um sério problema!
5 – As reflexões implícitas nas histórias que fazem você repensar a sua vida

(Esta lista pode continuar, mas a resenha ficaria extensa demais! Quem sabe um post só para apreciação do John Green? Quem sabe?).

p.s 2: PODEMOS FALAR SOBRE AS CAPAS DESSE LIVRO? Nunca fiz isso aqui no blog, mas ao fazer uma breve pesquisa, me deparei com diferentes capas incríveis e achei que vocês deveriam ver também! A Penguin Books, editora do John, fez um concurso para escolher a capa de uma edição especial do livro!

Estas não são as capas participantes do concurso (a capa da versão brasileira foi a vencedora, por sinal!)

KATHCERTO

Estas participaram e você pode ver a maioria delas aqui: http://www.tumblr.com/tagged/an-abundance-of-covers

contest

Qual é a sua favorita?

p.s 3: Quem estiver aí pensando: “POXA VIDA, QUERIA FAZER UMA CAPA TAMBÉM!” um concurso está acontecendo para decidir a capa do Price of Dawn, o livro tão citado em A Culpa é das Estrelas! CORRE!

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