Resenha: “Homens, Mulheres e Filhos”, da Paramount Pictures

Eu quase não tinha nada de bom para falar desse filme até fazer uma busca no Google e encontrar o pôster INCRÍVEL feito para divulgá-lo. Sério, que coisa mais linda é essa, gente? MV5BMTAwMzc2OTgwOTZeQTJeQWpwZ15BbWU4MDg2ODA4NjIx._V1_SX640_SY720_Já que comecei falando sobre o pôster, vou falar sobre as informações que ele contém. O diretor (Jason Reitman) é o mesmo de “Sem Escalas” (amo a Anna Kendrick e o George Clooney, mas até hoje não entendi a lógica daquele filme) e “Juno” (5 baldes de pipoca sem pensar duas vezes). A partir daí você já consegue sentir as minhas opiniões divergentes sobre esse filme, mas estamos só começando. Vamos à frase do pôster: “Descubra o quão pouco você sabe sobre as pessoas que você conhece”, o que realmente descreve o filme. Nele, somos apresentados basicamente a quatro histórias de adolescentes que frequentam a mesma escola e têm um problema em comum: a Internet.

MEN, WOMEN & CHILDREN

                                                       Hannah (Olivia Crocicchia) e Donna Clint (Judy Greer)

Enquanto Chris (Travis Tope) é viciado em pornografia – assim como o pai, Don (Adam Sandler) -, Hannah Clint (Olivia Crocicchia) sonha com o estrelato e a fama em Hollywood e não percebe (ou percebe? Isso não ficou muito claro para mim), que estava sendo usada pela mãe. que tirava fotos sensuais suas e as vendia online por encomenda. Enquanto a mãe de Hannah esconde os e-mails dos pedidos e a faz acreditar que aqueles que acessam o site são “seus fãs”, a mãe de Tim Mooney (Ansel Elgort) abandona a família e foge para a Califórnia com um outro homem.

Para mim, Tim é o personagem mais intrigante do filme (e não é pelo fato de ser interpretado pelo Ansel, juro!) por ter um problema existencial: ele não consegue se importar com nada ou ninguém somente por saber que todos são feitos de moléculas que passaram a existir na Terra depois do Big Bang e por acreditar que as pessoas não significam nada quando comparadas ao pequeno espaço que a Terra ocupa no Universo. Isso me lembrou um pouco do próprio Gus Waters (para quem não conhece, é o personagem de Elgort em “A Culpa é das Estrelas), só que de forma contrária: embora ambos soubessem que não significavam nada perto da imensidão do mundo, um queria ser lembrado de alguma forma e o outro preferiu simplesmente desistir.

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                      Tim (Ansel Elgort) e Brandy (Kaitlyn Dever)

De volta ao tema “mães”, conhecemos Patricia (Jennifer Garner), uma mãe obcecada em proteger a filha Brandy (Kaitlyn Dever) dos “perigos da Internet”. Usei aspas e o modo itálico ao falar de perigos da Internet por esse ser o tema principal do filme. Agora que os personagens foram apresentados, vamos ao principal: qual é o objetivo deste filme? Para mim, Reitman quis passar uma visão unilateral e um tanto radical do que a Internet pode causar na vida de quem a navega. Não vemos sequer uma coisa boa que a Internet tenha feito pelas pessoas nesse filme. Dessa forma, a visão pessimista que o filme transmite me incomoda bastante, talvez ao ponto de me impedir de enxergar a profundidade dos personagens (e das atuações também).

Vamos começar pelo Adam Sandler. Na verdade, prefiro pular essa parte simplesmente por não entender a atuação do cara. Nunca. Vemos uma Jennifer Garner paranóica (e totalmente crível), uma Judy Greer (desculpe, não consegui parar de pensar em “De Repente 30” ao ver Garner e Greer no mesmo filme novamente) um tanto apática – assim como Dean Norris, o pai abandonado de Tim. O verdadeiro destaque fica por conta dos adolescentes, Elgort, Dever, Tope e Crocicchia. O tema da anorexia também é abordado pela (e usarei o adjetivo mais uma vez) apática Elena Kampouris, que interpreta Alison Doss, uma garota que encontrava online outras pessoas que tinham anorexia e a encorajavam a não comer.

Voltando ao quarteto, a história dos quatro é um tanto envolvente (é o máximo de atenção que esse filme pode conseguir) e você só vai continuar assistindo para descobrir o que enfim acontece com eles. Além do vício em pornografia, do uso da imagem de menores na Internet e da anorexia, o vício em videogames e a traição que surge em sites e passa para a vida real também são abordados. É um acúmulo de coisas ruins que a Internet pode trazer e essa quantidade de problemas impede que cada um desses temas seja tratado mais à fundo.

Para “Homens, Mulheres e Filhos” que está em cartaz no Brasil desde o dia 4 de Dezembro, dou 2 baldes de pipoca.

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