Resenha: “You’re the one that I want” – Giovanna Fletcher

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Preciso começar essa resenha dizendo que não é fácil ser ou pelo menos eu acho que não, né o livro lido depois de uma leitura surpreendentemente incrível. A pressão é enorme. Ou deve ser. A questão é que “You’re the one that I want” foi o primeiro livro que li depois de “We Were Liars”, então preciso levar em consideração o quanto eu esperava dessa leitura e o que o livro realmente me ofereceu.

You’re the one that I want é o segundo livro da Giovanna Fletcher (Billy and Me) e, sendo bastante sincera, não traz nenhum elemento novo. É a história de um triângulo amoroso bastante simples, entre três melhores amigos de infância, e tem conflitos que poderiam ser resolvidos em, no máximo, 100 páginas – não nas mais de 300 que a versão original tem. Se você simpatiza com a Inglaterra – onde a história acontece – isso pode ser um ponto a favor do livro, já que a história se passa em diferentes cenários ingleses. E que vão te deixar querendo conhecer o país ou ir lá outras 1000 vezes, só pra constar.

Você acompanha a história a partir de dois pontos de vista: o de Maddy, uma garota de nove anos que acaba de se mudar para uma cidade pequena e tem problemas de confiança – como qualquer outra criança nessa idade – e Ben, o garoto que troca um olhar tranquilizante com Maddy durante sua apresentação na nova turma da escola. Ao lado dele estava seu melhor amigo, Robert, e juntos decidiram que a nova garota seria a mais nova amiga deles. Não demorou para que se tornassem muito próximos e inseparáveis, um verdadeiro tripé, como Giovanna bem definiu.

Enquanto Robert é o líder do trio, super confiante e um verdadeiro arrasa-corações, Ben é tímido, um seguidor nato, que não tem coragem de admitir para Maddy que é apaixonado por ela – por puro medo de estragar a relação de amizade entre os três. Mas não é só isso: Ben foi abandonado pelo pai ainda cedo, o que fez com que crescesse nele o medo de não ser aceito. É por tudo isso que ele guarda seu maior segredo – o nome da dona do seu coração – por vários anos, até saber que a turma deles fará uma viagem para Paris. É lá que Ben planejava contar tudo para Maddy, bem no topo da Torre Eiffel, mas seus planos são impedidos por algo completamente inesperado por ele: Robert e Maddy se apaixonam durante a viagem.

É assim que Ben guarda seu segredo por mais alguns anos até uma noite regada a bastante álcool, quando abre seu coração para Maddy e faz com que ela fique em dúvida sobre com quem realmente ficar: Robert, seu namorado há cinco anos, que a entendia tão bem, mas tinha pisado feio na bola – ou Ben, o sensível e engraçado Ben, que sempre esteve ao lado dela nos momentos mais importantes de sua vida. Confesso que tive uma imensa dificuldade para decidir entre #TeamRobert ou #TeamBen, uma vez que ambos amavam Maddie e ambos cometeram erros em relação à Maddie.

Para “You’re the one that I want”, por não ter fugido do clichê e pela falta de reviravoltas na história, dou dois baldes de pipoca.

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Resenha: “Mentirosos” – E. Lockhart

120596881_1GGSaber/descobrir o final de um livro ainda nos primeiros capítulos é algo comum para viciados em leitura. Conseguimos imaginar finais possíveis e geralmente estamos certos. No entanto, por mais que eu tenha imaginado 1 milhão de desfechos para “We Were Liars”, (“Mentirosos” aqui no Brasil, publicado pela Editora Seguinte) nenhum deles se concretizou. Nunca, em 2 bilhões de anos eu seria capaz de acertar o conteúdo daquelas últimas páginas. Não mesmo.

A trama de E. Lockhart é completamente envolvente, é daquele tipo de história que te faz imaginar exatamente o que ela está contando e, em várias partes, te faz sentir como se fosse a personagem principal. A escrita dela brinca com a poesia, e acima de tudo, com o poder das entrelinhas. Ainda arrisco dizer que ela cria uma certa “ilusão de ótica” que te cega e não permite que você perceba a verdade (que estava ali bem diante dos meus olhos o tempo inteiro!).

Acompanhamos a história a partir do olhar de Cadence, uma garota nascida em berço de ouro, primogênita de uma família super tradicional (daquelas de filmes hollywoodianos sobre linhagens políticas) que, de uma hora pra outra, vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao sofrer um acidente na ilha da família – onde ela costumava passar todos os verões de sua vida.

Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o sobrinho do namorado de sua tia, Gat, chamavam de Liars o seu grupo de amizade e passavam todos os verões juntos em Beechwood Island. O patriarca da família, avô de Cadence, não via Gat com bons olhos. Conservador, tradicional preconceituoso demais, o magnata Harris Sinclair não gostava da origem indiana de Gat e passou a gostar ainda menos dele à medida que o garoto crescia e trazia histórias do mundo real (a pobreza, a desigualdade do mundo) para o mundo perfeito da família Sinclair.

“He was contemplation and enthusiasm. Ambition and strong coffee.”

“Ele era contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte.”

Gat é destemido, misterioso, diferente e, por isso, conquista o coração de Cadence. O relacionamento dos dois não é nada fácil (envolve até uma terceira parte!), mas vai te fazer torcer muito por um final feliz. É justamente quando as ideias revolucionárias de Gat atingem os Liars com toda força que a bolha de perfeição onde os Sinclair vivem é destruída.

“Our kiss was electric and soft, and tentative and certain, terrifying and exactly right. I felt the love rush from me to Gat and from Gat to me. We were warm and shivering, and young and ancient, and alive. I was thinking, it’s true. We already love each other. We already do.” – Página 24

“Nosso beijo era elétrico e suave, e hesitante e certeiro, assustador e exatamente certo. Eu senti o amor correr de mim para Gat e de Gat para mim. Nós estávamos aquecidos e tremendo, e jovens e velhos, e vivos. Eu estava pensando, é verdade. Nós já nos amamamos.”

A história é cheia de plot twists e quando você pensa que algo vai dar certo (finalmente) para Candice, algo acontece e BAM! a felicidade vai embora. Junto com a felicidade de Candice vai a sanidade mental do leitor também (só para avisar!). É pela sequência de reviravoltas, pela ilusão de ótica, pela poesia e pelo final surpreendente que dou cinco baldes de pipoca para “We Were Liars”.

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