Resenha: “Mentirosos” – E. Lockhart

120596881_1GGSaber/descobrir o final de um livro ainda nos primeiros capítulos é algo comum para viciados em leitura. Conseguimos imaginar finais possíveis e geralmente estamos certos. No entanto, por mais que eu tenha imaginado 1 milhão de desfechos para “We Were Liars”, (“Mentirosos” aqui no Brasil, publicado pela Editora Seguinte) nenhum deles se concretizou. Nunca, em 2 bilhões de anos eu seria capaz de acertar o conteúdo daquelas últimas páginas. Não mesmo.

A trama de E. Lockhart é completamente envolvente, é daquele tipo de história que te faz imaginar exatamente o que ela está contando e, em várias partes, te faz sentir como se fosse a personagem principal. A escrita dela brinca com a poesia, e acima de tudo, com o poder das entrelinhas. Ainda arrisco dizer que ela cria uma certa “ilusão de ótica” que te cega e não permite que você perceba a verdade (que estava ali bem diante dos meus olhos o tempo inteiro!).

Acompanhamos a história a partir do olhar de Cadence, uma garota nascida em berço de ouro, primogênita de uma família super tradicional (daquelas de filmes hollywoodianos sobre linhagens políticas) que, de uma hora pra outra, vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao sofrer um acidente na ilha da família – onde ela costumava passar todos os verões de sua vida.

Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o sobrinho do namorado de sua tia, Gat, chamavam de Liars o seu grupo de amizade e passavam todos os verões juntos em Beechwood Island. O patriarca da família, avô de Cadence, não via Gat com bons olhos. Conservador, tradicional preconceituoso demais, o magnata Harris Sinclair não gostava da origem indiana de Gat e passou a gostar ainda menos dele à medida que o garoto crescia e trazia histórias do mundo real (a pobreza, a desigualdade do mundo) para o mundo perfeito da família Sinclair.

“He was contemplation and enthusiasm. Ambition and strong coffee.”

“Ele era contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte.”

Gat é destemido, misterioso, diferente e, por isso, conquista o coração de Cadence. O relacionamento dos dois não é nada fácil (envolve até uma terceira parte!), mas vai te fazer torcer muito por um final feliz. É justamente quando as ideias revolucionárias de Gat atingem os Liars com toda força que a bolha de perfeição onde os Sinclair vivem é destruída.

“Our kiss was electric and soft, and tentative and certain, terrifying and exactly right. I felt the love rush from me to Gat and from Gat to me. We were warm and shivering, and young and ancient, and alive. I was thinking, it’s true. We already love each other. We already do.” – Página 24

“Nosso beijo era elétrico e suave, e hesitante e certeiro, assustador e exatamente certo. Eu senti o amor correr de mim para Gat e de Gat para mim. Nós estávamos aquecidos e tremendo, e jovens e velhos, e vivos. Eu estava pensando, é verdade. Nós já nos amamamos.”

A história é cheia de plot twists e quando você pensa que algo vai dar certo (finalmente) para Candice, algo acontece e BAM! a felicidade vai embora. Junto com a felicidade de Candice vai a sanidade mental do leitor também (só para avisar!). É pela sequência de reviravoltas, pela ilusão de ótica, pela poesia e pelo final surpreendente que dou cinco baldes de pipoca para “We Were Liars”.

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