Resenha: “Cidades de Papel” – John Green

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Juro em nome de todos os deuses que não faço ideia do motivo pelo qual adiei tanto a leitura desse livro. Talvez porque o John nunca mais lançou nenhum livro e não tem nem previsão para fazer isso, então eu queria ter alguma coisa “nova” me esperando, por mais que eu saiba que todas as vezes em que lemos alguma coisa ela acaba trazendo algo de novo. O que importa é que decidi ler o livro ontem, quando me dei conta de que não podia assistir ao filme sem conhecer Quentin e Margo antes. Não mesmo.

Esse é para mim o livro mais engraçado do John Green. Meus olhos lacrimejaram em diversas partes de “Cidades de Papel” – muito embora eu tenha achado algumas decisões do Quentin um tanto obsessivas da parte dele. Mas vamos lá: “Cidades de Papel” é narrado por Quentin Jacobsen, mais conhecido pelo apelido Q, um garoto certinho, um tanto metódico, filho de pais psicólogos e cuja vida beirava a chatice, de tão ordinária que era. Bem, tudo na vida dele era normal, menos sua vizinha e crush desde a infância, Margo Roth Spiegelman. Ela é o que costumamos chamar de espírito livre, uma garota que faz o que quiser, na hora que quiser e com quem quiser. Margo era a melhor amiga de Quentin até o dia em os dois encontraram um cara morto no parque próximo ao condomínio onde moravam. Desde então, os dois só se viam na escola – mal se falavam – e o fato dela fazer parte da realeza da escola tornava tudo mais fácil para Quentin, que acabava se livrando dos bullies.

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Quentin tem dois amigos inseparáveis: os hilários Radar e Ben. A construção dos personagens é tão bem feita que você consegue se importar com todos eles. Por exemplo, os pais de Radar tem a segunda maior coleção de papais noéis negros dos EUA, o que o constrange profundamente e o impede de convidar Angela, sua namorada, para ir até a sua casa. Ele vive por um site chamado Omnictionary, uma espécie de Wikipédia mais cool. Já Ben é um garoto mega engraçado que vive a consequência de um boato espalhado na escola sobre o período em que ele teve uma crise renal seriíssima. O apelido de Ben Mija-Sangue faz com que ele perca todas as chances de levar uma garota legal ao baile de formatura, o que é suficiente para que Radar e Q tirem onda com a cara dele até a morte.

Em uma noite das últimas semanas de aula, a vida de Quentin gira de cabeça para baixo. Margo Roth Spiegelman invade o quarto dele e o convoca para uma missão. Na verdade, onze missões – e elas envolvem peixes, grafite, Veet e a Shamu. Pois é. A aventura desconserta Q, que passa a questionar se a amizade dele e de Margo voltará a ser como era antes (não que ele queira somente a amizade dela, né). Só tem um problema: no dia seguinte, Margo some. Foge do mapa. Evapora. Desaparece. E Q foi a última pessoa a vê-la.

Quando os pais de Margo deixam claro que não estão preocupados com a filha, Quentin resolve abraçar a missão de encontrar a garota. Com ele, os fiéis Quentin e Ben e uma adição ao grupo: a amiga de Margo, Lacey, paixão platônica de Ben. Esses quatro embarcam numa jornada incrível em busca de Margo, seguindo pistas que ela havia deixado para Q.

“Ir embora é uma sensação boa e pura, apenas quando você abandona uma coisa importante, algo que tem significado. Arrancando a vida pela raiz. Mas só se pode fazer isso quando sua vida já criou raízes.”

“Cidades de Papel” é uma história sobre superficialidade e escolhas. Sobre o quanto ter uma vida planejada pode significar não ter uma vida, sobre o poder da amizade verdadeira e sobre a importância do humor nas piores horas possíveis. É um livro recheado de quotes prontas para serem destacadas, tatuadas, escritas na parede do quarto e colocadas na bio do Twitter. Se o finado Orkut ainda existisse, aposto que milhões de pessoas colocariam “a cidade era de papel, mas as memórias, não” na descrição do perfil.

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Provavelmente o que mais me encantou na história foi o fato de Quentin ter descoberto tanto sobre si mesmo enquanto procurava por outra pessoa. A desconstrução da imagem perfeita e platônica que ele tinha de Margo vai acontecendo gradualmente e você consegue sentir o quanto ele luta com esse sentimento. Me apeguei, gente!

“Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos.”

“Isso sempre me pareceu tão ridiculo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa da beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor.”

Em certo momento do livro, em uma página que pregarei na minha parede, o Quentin fala sobre a importância da escolha de uma metáfora para a nossa vida. É por momentos como esse que leio tanto. Pela sensação incrível de encontrar uma página cujo conteúdo possa ampliar meus horizontes e me fazer refletir sobre coisas que jamais pensei que fossem necessárias. “Cidades de Papel” é um verdadeiro presente. Por isso, nada mais justo que dar cinco baldes de pipoca ao livro.

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O filme, estrelando Nat Wolff (Isaac de “A Culpa é das Estrelas”) e Cara Delevigne, estreia no próximo dia 9 de julho aqui no Brasil. A turnê de promoção do filme já começou e no momento John Green, Cara e Nat estão rodando a Europa dando entrevistas e participando de photocalls. No comecinho de Julho é a vez do Brasil receber John e Nat. Esta será a primeira vez de John Green no país. Se você ainda não viu o trailer do filme, aqui está: