Você precisa assistir La La Land

Olá galera do Livro & Pipoca! O post de hoje traz um vídeo muito especial: minha review de La La Land, o novo filme do diretor Damien Chazelle (do maravilhoso Whiplash) estrelado por ninguém mais ninguém menos que Emma Stone e Ryan Gosling. Aperta o play aí, vai!

Advertisements

Você precisa ouvir Illuminate, novo álbum do Shawn Mendes

shawn-mendes-illuminate-2016Quem é Shawn Mendes? Onde vive? De que se alimenta? Porque tem sobrenome brasileiro e nome de americano? Sinto informar que ele não é nem daqui nem dos EUA. Shawn é um canadense de 18 anos, filho de pai português e mãe inglesa. Que confusão, hein? Mas te garanto: o resultado dessa mistura é incrível. Illuminate é o sucessor do Handwritten, primeiro álbum de Shawn que o colocou direto no topo da Billboard e fez com que ele se tornasse o mais jovem a conseguir tal feito. Se você está o conhecendo agora, olha só que coisa maravilhosa: você vai ter DOIS ÁLBUNS NOVINHOS pra ouvir.

Ah, e aqui vai uma curiosidade: a carreira dele começou no Vine. Isso mesmo, no Vine. Os vídeos de seis segundos de Shawn cantando fizeram tanto sucesso que ele foi do aplicativo direto pra uma grande gravadora, entrando no clube de artistas descobertos na Internet como o também canadense Justin Bieber, o youtuber Troye Sivan e Alessia Cara.

O tema desse post é o Illuminate, mas aqui vão minhas dicas do Handwritten: Aftertaste, Life Of The Party, Something Big e A Little Too Much. O grande sucesso desse álbum você já deve ter ouvido nas rádios, Stitches. Também há uma grande chance de você já ter ouvido outra música dele, I Know What You Did Last Summer, em parceria com Camila Cabello (Fifth Harmony).

Illuminate é um compilado de músicas de sofrência, amor e muita, muita sofrência mesmo (já falei que é um álbum sobre sofrência?) Se você já estiver familiarizada com as músicas do John Mayer e/ou Ed Sheeran, com certeza vai ouvir um tantinho da influência dos dois nas músicas. Até agora, o álbum teve dois singles: Treat You Better e Mercy, que já ganharam clipes clássicos do Shawn Mendes, com ele quase morrendo de alguma forma (ai meu coração!). Minhas favoritas no álbum – além dos dois singles – são Don’t Be a Fool (eu me sinto num baile de formatura de escola americana ouvindo essa música. Só falta o boy), Lights On e Understand.

Você pode ouvir o Illuminate no Spotify, clicando aqui. Me conta aqui embaixo o que achou, vai?

Resenha: O Lado Feio do Amor – Colleen Hoover

oladofeioSinopse: Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo… apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor.

O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.

Essa é uma história de amor diferente, passa longe da típica história romântica que estamos acostumados a ler. Geralmente, os protagonistas se apaixonam e vão construindo uma relação de amor ao longo do livro, certo? Nessa história, um dos protagonistas sequer sabe que pode amar. Ele já amou, e muito. Amou mais do que imaginava possível. Viveu uma paixão proibida, avassaladora, que mudou a sua vida e a sua relação com a família. Mas isso acabou de forma trágica. Tão trágica que Miles Archer se tornou incapaz de amar novamente.

Seis anos depois de um evento que deixou sua vida de pernas pro ar, Miles Archer é um dos pilotos mais competentes da companhia aérea onde trabalha, ainda é amigo do seu melhor amigo de infância e passa as noites de quinta-feira jogando com ele e seu vizinho, que também é piloto, Corbin. Para esquecer os problemas em terra firme, Miles prefere voar. Voar por horas a fio, voar sem parar, sem deixar tempo algum para um relacionamento amoroso. Mas por qual motivo um rapaz novo, bonito, inteligente, com uma carreira promissora, não consegue se envolver com alguém? Vamos conhecer a razão de tudo isso em capítulos alternados, quando um é narrado pelo Miles de seis anos antes e o outro é narrado pelo verdadeiro furacão que vai atingir sua vida simples, Tate Collins.

Tate é uma jovem enfermeira que se muda para São Francisco para fazer um tão sonhado mestrado. Até conseguir se organizar financeiramente, Tate resolve morar com o irmão, Corbin, um cara super protetor que era o terror de todos os namorados de Tate na escola. Ao entrar no prédio pela primeira vez, Tate conhece Cap, um senhor de 80 anos que trabalhou como zelador a vida inteira e simplesmente não consegue abandonar o ofício. Ela vai desenvolver uma amizade fofa com ele que vai arrancar boas risadas e reflexões dos leitores. Ao chegar na porta do apartamento, Tate é surpreendida ao ver alguém deitado próximo a porta do irmão. Alguém que está bastante bêbado e, por isso, a assusta bastante. Mal sabia ela que aquele encontro ia levar a sua vida para uma direção completamente diferente da que imaginava. O cara é Miles Archer.

Há algo de intrigante em Miles Archer que tira o juízo de Tate. Há algo por trás daquela postura forte, daquela armadura impenetrável, que ela deseja conhecer. Mas ele não cede. Bem, até embarcar em uma viagem para a casa dos pais de Tate e Corbin na comemoração do Dia de Ação de Graças. É lá que Tate descobre que a atração que sente por Miles é mútua e onde todo o acordo começa. Todas as regras.

Sem contar a Corbin, os dois começam a se encontrar sempre que Miles está em casa. As faíscas entre eles são altamente explosivas. Quando os dois estão juntos, é como se o mundo não existisse, apenas aquele apartamento e aquelas duas pessoas. Eles não conseguem esconder um do outro o quanto gostam de fazer o que estão fazendo, mas Miles não dá esperança alguma de que aquilo possa evoluir para algo mais sério, o que intriga Tate ainda mais. Em alguns momentos, ela se sente mal, humilhada por estar num “relacionamento” sem expectativa alguma, sem carinho, sem conversa. Mas há algo em Miles que Tate não desiste de desvendar.

Tate. – sussurra. – Sei que vou me arrepender de dizer isso, mas quero que escute. – Ele afasta-se o suficiente para que seus lábios encostem no meu cabelo e me abraça com força mais uma vez. – Se fosse capaz de amar alguém… esse alguém seria você.  Página 263

É essa insistência que vai tirá-lo de uma zona de conforto, de uma verdadeira bolha onde se escondia por seis anos. É a alegria que conviver com Tate trouxe para a sua vida que vai fazê-lo questionar tudo e revisitar as memórias para tentar entender como ele deixou de ser capaz de sentir. A história é uma verdadeira jornada em busca da vida e do merecimento de um sentimento tão essencial como o amor.

Tate. – Ele está de frente para a porta, e não se vira para terminar a frase. – Às vezes, o espírito de um homem simplesmente não é forte o suficiente para aguentar os fantasmas do passado. – Cap abre a porta do apartamento e entra. – Talvez aquele garoto tenha apenas perdido o espírito no meio do caminho.  – Página 235

A escrita de Colleen é rápida, fluida e vai te fazer querer devorar o livro (abdicando até do sono sagrado, prepare-se!). Além disso, ela faz parte de um grupo de novas autoras que está inovando na maneira de escrever. Esqueça os parágrafos justificados, construídos milimetricamente. Colleen brinca com as letras, com os significados das palavras e as formas. Eu arriscaria dizer que ela flerta com os poemas concretos, principalmente com o movimento das letras nas páginas.

Para “O Lado Feio do Amor”, de Colleen Hoover, publicado no Brasil pela Galera Record, dou cinco baldes de pipoca. etiqueta_do_saco_da_pipoca_dos_desenhos_animados_autocolante-r9e10f8a2bfe640d4a382334587bd1253_v9waf_8byvr_512etiqueta_do_saco_da_pipoca_dos_desenhos_animados_autocolante-r9e10f8a2bfe640d4a382334587bd1253_v9waf_8byvr_512etiqueta_do_saco_da_pipoca_dos_desenhos_animados_autocolante-r9e10f8a2bfe640d4a382334587bd1253_v9waf_8byvr_512etiqueta_do_saco_da_pipoca_dos_desenhos_animados_autocolante-r9e10f8a2bfe640d4a382334587bd1253_v9waf_8byvr_512etiqueta_do_saco_da_pipoca_dos_desenhos_animados_autocolante-r9e10f8a2bfe640d4a382334587bd1253_v9waf_8byvr_512

Resenha: “Cidades de Papel” – John Green

papertowns

Juro em nome de todos os deuses que não faço ideia do motivo pelo qual adiei tanto a leitura desse livro. Talvez porque o John nunca mais lançou nenhum livro e não tem nem previsão para fazer isso, então eu queria ter alguma coisa “nova” me esperando, por mais que eu saiba que todas as vezes em que lemos alguma coisa ela acaba trazendo algo de novo. O que importa é que decidi ler o livro ontem, quando me dei conta de que não podia assistir ao filme sem conhecer Quentin e Margo antes. Não mesmo.

Esse é para mim o livro mais engraçado do John Green. Meus olhos lacrimejaram em diversas partes de “Cidades de Papel” – muito embora eu tenha achado algumas decisões do Quentin um tanto obsessivas da parte dele. Mas vamos lá: “Cidades de Papel” é narrado por Quentin Jacobsen, mais conhecido pelo apelido Q, um garoto certinho, um tanto metódico, filho de pais psicólogos e cuja vida beirava a chatice, de tão ordinária que era. Bem, tudo na vida dele era normal, menos sua vizinha e crush desde a infância, Margo Roth Spiegelman. Ela é o que costumamos chamar de espírito livre, uma garota que faz o que quiser, na hora que quiser e com quem quiser. Margo era a melhor amiga de Quentin até o dia em os dois encontraram um cara morto no parque próximo ao condomínio onde moravam. Desde então, os dois só se viam na escola – mal se falavam – e o fato dela fazer parte da realeza da escola tornava tudo mais fácil para Quentin, que acabava se livrando dos bullies.

gif2

Quentin tem dois amigos inseparáveis: os hilários Radar e Ben. A construção dos personagens é tão bem feita que você consegue se importar com todos eles. Por exemplo, os pais de Radar tem a segunda maior coleção de papais noéis negros dos EUA, o que o constrange profundamente e o impede de convidar Angela, sua namorada, para ir até a sua casa. Ele vive por um site chamado Omnictionary, uma espécie de Wikipédia mais cool. Já Ben é um garoto mega engraçado que vive a consequência de um boato espalhado na escola sobre o período em que ele teve uma crise renal seriíssima. O apelido de Ben Mija-Sangue faz com que ele perca todas as chances de levar uma garota legal ao baile de formatura, o que é suficiente para que Radar e Q tirem onda com a cara dele até a morte.

Em uma noite das últimas semanas de aula, a vida de Quentin gira de cabeça para baixo. Margo Roth Spiegelman invade o quarto dele e o convoca para uma missão. Na verdade, onze missões – e elas envolvem peixes, grafite, Veet e a Shamu. Pois é. A aventura desconserta Q, que passa a questionar se a amizade dele e de Margo voltará a ser como era antes (não que ele queira somente a amizade dela, né). Só tem um problema: no dia seguinte, Margo some. Foge do mapa. Evapora. Desaparece. E Q foi a última pessoa a vê-la.

Quando os pais de Margo deixam claro que não estão preocupados com a filha, Quentin resolve abraçar a missão de encontrar a garota. Com ele, os fiéis Quentin e Ben e uma adição ao grupo: a amiga de Margo, Lacey, paixão platônica de Ben. Esses quatro embarcam numa jornada incrível em busca de Margo, seguindo pistas que ela havia deixado para Q.

“Ir embora é uma sensação boa e pura, apenas quando você abandona uma coisa importante, algo que tem significado. Arrancando a vida pela raiz. Mas só se pode fazer isso quando sua vida já criou raízes.”

“Cidades de Papel” é uma história sobre superficialidade e escolhas. Sobre o quanto ter uma vida planejada pode significar não ter uma vida, sobre o poder da amizade verdadeira e sobre a importância do humor nas piores horas possíveis. É um livro recheado de quotes prontas para serem destacadas, tatuadas, escritas na parede do quarto e colocadas na bio do Twitter. Se o finado Orkut ainda existisse, aposto que milhões de pessoas colocariam “a cidade era de papel, mas as memórias, não” na descrição do perfil.

gif1

Provavelmente o que mais me encantou na história foi o fato de Quentin ter descoberto tanto sobre si mesmo enquanto procurava por outra pessoa. A desconstrução da imagem perfeita e platônica que ele tinha de Margo vai acontecendo gradualmente e você consegue sentir o quanto ele luta com esse sentimento. Me apeguei, gente!

“Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos.”

“Isso sempre me pareceu tão ridiculo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa da beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor.”

Em certo momento do livro, em uma página que pregarei na minha parede, o Quentin fala sobre a importância da escolha de uma metáfora para a nossa vida. É por momentos como esse que leio tanto. Pela sensação incrível de encontrar uma página cujo conteúdo possa ampliar meus horizontes e me fazer refletir sobre coisas que jamais pensei que fossem necessárias. “Cidades de Papel” é um verdadeiro presente. Por isso, nada mais justo que dar cinco baldes de pipoca ao livro.

561a7-5pipocas

O filme, estrelando Nat Wolff (Isaac de “A Culpa é das Estrelas”) e Cara Delevigne, estreia no próximo dia 9 de julho aqui no Brasil. A turnê de promoção do filme já começou e no momento John Green, Cara e Nat estão rodando a Europa dando entrevistas e participando de photocalls. No comecinho de Julho é a vez do Brasil receber John e Nat. Esta será a primeira vez de John Green no país. Se você ainda não viu o trailer do filme, aqui está: 

Resenha: “Mentirosos” – E. Lockhart

120596881_1GGSaber/descobrir o final de um livro ainda nos primeiros capítulos é algo comum para viciados em leitura. Conseguimos imaginar finais possíveis e geralmente estamos certos. No entanto, por mais que eu tenha imaginado 1 milhão de desfechos para “We Were Liars”, (“Mentirosos” aqui no Brasil, publicado pela Editora Seguinte) nenhum deles se concretizou. Nunca, em 2 bilhões de anos eu seria capaz de acertar o conteúdo daquelas últimas páginas. Não mesmo.

A trama de E. Lockhart é completamente envolvente, é daquele tipo de história que te faz imaginar exatamente o que ela está contando e, em várias partes, te faz sentir como se fosse a personagem principal. A escrita dela brinca com a poesia, e acima de tudo, com o poder das entrelinhas. Ainda arrisco dizer que ela cria uma certa “ilusão de ótica” que te cega e não permite que você perceba a verdade (que estava ali bem diante dos meus olhos o tempo inteiro!).

Acompanhamos a história a partir do olhar de Cadence, uma garota nascida em berço de ouro, primogênita de uma família super tradicional (daquelas de filmes hollywoodianos sobre linhagens políticas) que, de uma hora pra outra, vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao sofrer um acidente na ilha da família – onde ela costumava passar todos os verões de sua vida.

Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o sobrinho do namorado de sua tia, Gat, chamavam de Liars o seu grupo de amizade e passavam todos os verões juntos em Beechwood Island. O patriarca da família, avô de Cadence, não via Gat com bons olhos. Conservador, tradicional preconceituoso demais, o magnata Harris Sinclair não gostava da origem indiana de Gat e passou a gostar ainda menos dele à medida que o garoto crescia e trazia histórias do mundo real (a pobreza, a desigualdade do mundo) para o mundo perfeito da família Sinclair.

“He was contemplation and enthusiasm. Ambition and strong coffee.”

“Ele era contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte.”

Gat é destemido, misterioso, diferente e, por isso, conquista o coração de Cadence. O relacionamento dos dois não é nada fácil (envolve até uma terceira parte!), mas vai te fazer torcer muito por um final feliz. É justamente quando as ideias revolucionárias de Gat atingem os Liars com toda força que a bolha de perfeição onde os Sinclair vivem é destruída.

“Our kiss was electric and soft, and tentative and certain, terrifying and exactly right. I felt the love rush from me to Gat and from Gat to me. We were warm and shivering, and young and ancient, and alive. I was thinking, it’s true. We already love each other. We already do.” – Página 24

“Nosso beijo era elétrico e suave, e hesitante e certeiro, assustador e exatamente certo. Eu senti o amor correr de mim para Gat e de Gat para mim. Nós estávamos aquecidos e tremendo, e jovens e velhos, e vivos. Eu estava pensando, é verdade. Nós já nos amamamos.”

A história é cheia de plot twists e quando você pensa que algo vai dar certo (finalmente) para Candice, algo acontece e BAM! a felicidade vai embora. Junto com a felicidade de Candice vai a sanidade mental do leitor também (só para avisar!). É pela sequência de reviravoltas, pela ilusão de ótica, pela poesia e pelo final surpreendente que dou cinco baldes de pipoca para “We Were Liars”.

561a7-5pipocas

Resenha: “Para onde ela foi” – Gayle Forman (Novo Conceito)

para-onde-ela-foi-frente_3.jpg.1000x1353_q85_cropOK, preciso começar essa resenha fazendo uma confissão: não li “Se Eu Ficar”, fui direto para a versão cinematográfica da história – algo até então inédito para mim. Por não ter lido o livro, não conseguia compreender o hype da coisa toda (e a contagem regressiva para o filme com a Chloe Grace Moretz), então foi provavelmente por isso que no dia da estreia eu estava na fila do cinema, me preparando psicologicamente para acompanhar as legendas em Português de Portugal (nada fácil, caros leitores). Era mais uma tentativa de entender todo o alvoroço e ansiedade da minha timeline do Twitter que interesse no filme, devo admitir. Tá, colocar “Say Something” no trailer foi um golpe baixo, mas mesmo assim eu não estava esperando grande coisa. Bem, eu não poderia ter me surpreendido mais. Logo nas primeiras cenas do filme eu já estava completamente dentro do mundo de Mia Hall, a jovem violoncelista filha de pais punks que desperta o olhar do roqueiro (um tanto misterioso) Adam Wilde.

Se você ainda está lendo essa resenha, provavelmente leu “Se Eu Ficar” ou viu o filme, então [ALERTA DE SPOILERS] sabe que a história de amor de Mia e Adam não é muito simples e acaba sendo interrompida – enquanto eles estavam em crise – pelo acidente de carro que mata os pais de Mia e seu irmãozinho Teddy. Durante o período em que esteve em coma no hospital, a jovem prodígio teve a companhia dos avós, da melhor amiga Kim e de Adam, que acaba fazendo uma promessa bastante difícil – que é exatamente o que dá origem ao segundo livro.

Na sequência, que acontece três anos após o trágico acidente, somos apresentados ao ponto de vista de Adam (ele é o narrador) e, além de novos acontecimentos, Gayle brinca com flashbacks que acabam mostrando a versão de Adam de vários momentos do primeiro livro. Há espaço também para o que aconteceu logo depois dos momentos finais de “Se Eu Ficar”, então o livro tem uma espécie de vai-e-volta que é bastante característico do Cinema e acaba conferindo uma característica única ao enredo.

Três anos depois, Adam Wilde tem status de super estrela – graças ao sucesso da sua banda, Shooting Star, e do álbum que compôs logo após do “término” com Mia. Com vários Grammys, VMAs e outros prêmios no currículo, ele ganhou ainda mais notoriedade quando começou a namorar a estrela do cinema Bryn Shraeder – que tem uma descrição compatível a Megan Fox. Sua vida estampa as capas das mais variadas revistas de fofoca, paparazzi estão na sua cola 24 horas por dia e tudo isso é sufocante para ele – e acaba contribuindo para um tipo de fobia a entrevistas, repórteres e afins (poxa, Adam!).

Enquanto vive um relacionamento sem amor e uma grande crise com o resto da banda, Adam é entrevistado por uma jornalista e acaba surtando quando ela cita o nome de Mia. Até então, ele havia evitado de todas as formas revelar que teve um passado com ela para protegê-la de toda a loucura midiática, mas Mia se torna cada vez mais conhecida no mundo musical e protegê-la não é mais possível. É exatamente nesse dia que Adam descobre que Mia se apresentará no prestigiado Carnegie Hall e, sem pensar direito, compra um bilhete para assisti-la de longe. É a primeira vez que ele a vê desde que Mia foi para a Juilliard e deixou de repente de falar com ele.

A intenção do Wilde Man – seu apelido dentro da banda e nos tablóides – era passar despercebido naquela plateia formada por amantes da música clássica que dificilmente teriam sequer ouvido falar na Shooting Star. Ele não contava com o fato de vários funcionários terem o reconhecido e com a fofoca chegando aos ouvidos de Mia.

O que acontece quando os dois finalmente se reencontram? Bem, você só saberá lendo o livro (longe de mim estragar toda essa emoção!). Apesar de ter uma história coesa, sem fios soltos e diferente de outras leituras que eu já tenha feito, duas coisas me incomodaram durante a leitura: a visão um tanto estereotipada de um astro do rock – só faltava o Adam usar drogas ilícitas – e a maneira com que os avós de Mia são jogados de escanteio. Sim, é Adam quem narra o livro, mas acredito que a história poderia ter rendido ao menos dois parágrafos sobre os avós.

Como infelizmente não temos um CD da Shooting Star no mundo real, resolvi fazer uma playlist com as músicas que me vinham à mente enquanto lia a história. Preciso dizer que 1989 da Taylor Swift é o casamento ideal com o enredo e pelo menos três músicas do álbum estão na lista.

01 – I Know Places – Taylor Swift

02 – Thinking Out Loud – Ed Sheeran

03 – 18 – One Direction

04 – No Good In Goodbye – The Script

05 – Wildest Dreams – Taylor Swift

06 – All You Had To Do Was Stay – Taylor Swift

07 – Sad Serenade – Selena Gomez

Você pode ouvir a playlist aqui.

5 baldes de pipoca para o também best-seller “Para Onde Ela Foi”, de Gayle Forman, publicado no Brasil pela editora Novo Conceito.561a7-5pipocas

Maratona #Oscar2015 – Whiplash

A melhor época do ano chegou (na verdade, já está quase acabando, mas eu só arranjei tempo para essa “cobertura” agora haha) – a temporada de premiações de Hollywood! Os indicados ao prêmio mais cobiçado do Cinema já foram divulgados e você vai acompanhar, a partir de hoje, resenhas dos filmes que estão concorrendo à estatueta. Não sei por qual motivo, mas comecei a assistir aos filmes por uma ordem estranha (do que eu achei que menos ia gostar ao que acredito que será meu favorito), mas vejam só: já errei. Comecei a maratona com Whiplashna verdade, comecei com Foxcatcher, quando achei que o filme fosse ser indicado. Graças aos deuses do cinema, não foi. filme que já vinha criando Oscar buzz há vários meses, junto com White Bird in a Blizzard (mas esse não apareceu nas listas). whip-7

Enfim, espero que estejam prontos para fazer essa maratona comigo e que fiquem empolgados até o momento da linha de chegada, no dia 22 de Fevereiro, quando as estrelas se alinharão no tapete vermelho mais vigiado do ano, torcendo para que não caiam (olá, Jennifer Lawrence), lançando um olhar maléfico para o ex-marido ou ex-esposa que está cruzando o tapete vermelho com o parceiro (a) atual e rezando para que aquele ator/atriz que conseguiu o papel que essa estrela tanto queria não vá embora com uma estatueta.

Whiplash, dirigido e escrito por Damien Chazelle, conta a história de um jovem baterista, chamado Andrew, que almeja entrar na banda de um carrasco professor da sua universidade. O professor, Terence Fletcher, é temido por todos os alunos – daquele tipo que ao passar no corredor faz com que todos prendam a respiração por medo ou ansiedade. Andrew não se deixava intimidar por isso, uma vez que a banda seria a porta de entrada para a realização de seu maior sonho: ser o melhor baterista de todos ou estar entre os melhores. Em alguns momentos do filme, você se depara com alguns relances do perfil egocêntrico de Andrew, mas isso não faz com que você odeie o personagem. Pelo contrário, isso faz com que você se pergunte se existe algum motivo para que ele seja assim. É aqui que entramos num dos pontos que, para mim, são primordiais neste filme: a maneira com que o roteiro brinca com a questão dos losers e da perfeição. O pai de Andrew deseja ser escritor, mas é professor de Literatura do Ensino Médio. A garota por quem Andrew se apaixona está na faculdade mas ainda não sabe qual carreira seguir. Andrew não quer fracassar. Andrew não quer ser esquecido. Andrew está disposto a sangrar (literalmente) pelo seu sonho. Whiplash-4934.cr2

É o encontro com o professor Fletcher, que é um perfeccionista nato, que muda a vida dele. O momento em que Andrew é surpreendido com o convite – que mais parece uma sentença de morte de acordo com o tom do professor –  para entrar na banda, é um dos únicos em que o vemos sorrir. A relação dos dois em busca da perfeição é doentia, faz você se perguntar até onde iria e o quanto estaria disposto a se desgastar por um sonho. O filme é incrível – se você descontar um momento aqui e ali em que cai na monotonia – e a dupla Miles Teller (Andrew) e J.K Simmons (Fletcher) vai fazer você se contorcer de raiva, de pena, de angústia e vai te despertar outros sentimentos também.

Para mim, apenas um fio ficou solto no roteiro: a história de Fletcher. Tudo o que vemos é um homem de personalidade forte, que não se importa com o que os outros pensam, na verdade, ele não se importa com ninguém além de si mas não somos apresentados a outras nuances da vida dele. O que eu quero dizer é que talvez o roteiro tenha falhado um pouco ao mostrar só um lado do Fletcher e ter “omitido” as razões por ele ser daquele jeito. Sim, existe um momento no filme em que ele admite ser perfeccionista e diz que adora levar as pessoas ao seus limites, mas o motivo para aquilo tudo não é mostrado em momento algum (não que eu tenha percebido. Se você assistiu e percebeu, por favor me conte nos comentários).

Whiplash concorre a 5 estatuetas do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (J.K Simmons), Melhor Roteiro Adaptado, Edição de Vídeo e Sound Mixing. Confesso que talvez o meu amor pelo Miles Teller tenha me feito ver as coisas de uma forma diferente, mas acredito que ele merecia estar nas listas de alguns dos prêmios desta temporada. É interessante ver a maneira com que ele trabalha com o drama, uma vez que sua zona de conforto é a comédia.

O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros (de acordo com o Omelete) e você pode assistir ao trailer aqui:

Para Whiplash, dou cinco baldes de pipoca. 561a7-5pipocas