Resenha + Playlist: “Meu Romeu”, de Leisa Rayven

CAPA-Meu-RomeuQuando ganhei esse livro no sorteio que rolou no encontro da Globo Alt durante a Bienal do Rio, confesso que olhei meio “torto”. Provavelmente pelo trauma do último new adult que eu li: “After”, da Anna Todd. Aí eu tive uma semana de leituras difíceis, todas relacionadas ao conteúdo da faculdade. Foi então que decidi: nesse final de semana quero ler algo que me desafie. O resultado? Não fiz mais nada da minha vida até terminar de ler “Meu Romeu” (e a sequência, “Minha Julieta”, também!). Resolvi postar a resenha do segundo livro só quando ele estiver prestes a ganhar as estantes no Brasil, o que vai acontecer em Novembro. Por enquanto, deixo vocês com as minhas impressões de “Meu Romeu” e uma playlist especial com músicas que me lembram bastante os personagens e a história do livro. Espero que gostem!

“Meu Romeu”, escrito pela australiana Leisa Rayven, é o primeiro de dois livros que formam a série Starcrossed. A história gira em torno de Cassie Taylor e Ethan Holt, dois jovens atores que se conhecem nas audições para entrar na melhor faculdade de teatro do país. Em um dado momento, eles precisam fazer um exercício em dupla e a conexão entre os dois se torna visível. Bem, pelo menos no palco. Ethan não é uma pessoa muito fácil ou amigável e acaba despertando a ira de Cassie. É só quando os dois conseguem entrar para a faculdade e são escalados para interpretar Romeu e Julieta em uma peça que eles são forçados a admitir que o que sentem vai muito além de uma mera química no palco.

Os capítulos se revezam entre o começo do relacionamento dos dois e os momentos atuais, seis anos depois de entrarem na faculdade e se apaixonado, seis anos depois de Ethan ter destruído o coração de Cassie. A expectativa para descobrir o que ele fez exatamente vai crescendo a cada capítulo e você vai sofrendo junto aos personagens. Broadway. Não importava o fato de ter que dividir o palco com o cara que ela mais amou na vida e que infelizmente também era o cara que mais a tinha feito sofrer em toda a sua existência.

Bem, pelo menos ela tentou não dar muita importância a isso, mas a bagagem que Ethan traz com ele é impossível de se ignorar. Ele foi o primeiro e único amor de Cassie e deixou marcas bem difíceis de apagar. A relação dos dois nunca passou muito tempo em águas calmas, mas foi forte enquanto durou – e muito depois também. Quando os dois finalmente perceberam que a atração entre eles não poderia ser ignorada, tudo começou a desandar. Cassie esperava um relacionamento, companheirismo, um namoro de verdade. Ethan tinha problemas demais decorrentes do passado para dar a isso a ela. Isso o destruía. O medo de machucá-la e decepcioná-la o corroía.

– Então o que eu sou, hein? Me diz de uma vez! Abra essa boca e diga algo que me faça entender o que você sente! Acho que fui bem honesta com você sobre o que eu quero, mas tudo o que ganho em troca é o que você não quer.

-Quer saber o que eu quero? – ele diz, jogando a mochila no chão. – Ótimo. Quero isso.

Ele agarra meu rosto e me puxa para ele.  (Página 307)

Cassie não conseguia entender o que impedia que Ethan se entregasse, uma vez que a conexão entre os dois era mais que óbvia. Ela não desiste dele e, aos poucos, vai conseguindo adentrar algumas camadas da barreira que ele colocou em volta de si. O problema é que, apesar de conseguir passar por elas, Cassie não conseguiu derrubá-las. Os fantasmas do passado dele sempre voltavam.

– De repente, fazia sentido haver algo de errado comigo. Como se eu fosse um impostor na minha própria vida. E isso me deixou irritado pra caralho, porque eu imaginei “por que me importar?”. Sabe? Por que continuar fingindo? Nem sou filho ou irmão verdadeiro. Não sou nada real. Talvez por isso eu seja um bom ator. Todo personagem que interpreto é mais real do que eu. (Página 343)

Uma das coisas mais interessantes sobre a história é a maneira com que a autora consegue mesclar o que acontece com o casal e as histórias que eles estão interpretando em sala de aula. É como se em alguns momentos as máscaras não existissem e o palco fosse um momento de libertação, o local certo para expressar tudo o que precisavam.

Os fantasmas permanentes de Ethan o paralisaram e fizeram com que ele acabasse com toda e qualquer chance de continuar o namoro com Cassie. A distância emocional se torna distância física e Cassie não tem outra escolha a não ser seguir com a vida. Ou o que quer que isso significasse sem Ethan. É justamente quando ele volta, seis anos depois, que ela tem que aprender a lidar com os próprios fantasmas. Aqueles que Ethan acabou deixando com ela. Valeria a pena esquecê-los e dar uma nova chance ao amor da sua vida? Mesmo com aquele risco iminente de sempre de que ele poderia abandoná-la novamente?

Isso aí vocês só vão descobrir lendo “Meu Romeu”, mas enquanto não compram o livro, podem aproveitar essa playlist especial que montei com algumas músicas que me lembram da história de Cassie e Ethan. Me contem se vocês gostaram, tá?

meu romeu

Para “Meu Romeu”, de Leisa Rayven, dou 4 baldes de pipoca.

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Resenha: saga “After”, de Anna Todd

downloadConfesso que esta é provavelmente uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Não só por ter resolvido falar de quatro livros em um texto só, mas pelo fato do livro tratar de assuntos polêmicos de forma também polêmica. Confesso também que em diversos momentos tive uma relação de amor e ódio com a história e que em alguns capítulos eu não sabia se achava certo a maneira com que a autora estava lidando com problemáticas tão complexas. Aproximadamente 2.000 páginas depois, cá estou eu, tentando resumir para vocês a experiência de ter lido esta saga.

Os quatro livros (serão cinco no Brasil, publicados pela Paralela) foram adaptados de três fanfics da Anna Todd publicadas no Wattpad. As histórias tiveram um bilhão de visualizações e logo chamaram a atenção de uma editora, tornando a Anna Todd conhecida mundialmente. Diferentemente de Cinquenta Tons de Cinza, a fanfic de Todd não era baseada em personagens literários, e sim em um certo rapaz inglês, membro de uma famosa boyband e que já namorou a Taylor Swift. Sim, bookaholics! Um dos personagens principais dos livros é o Harry Styles – que acabou se tornando Hardin Scott na versão impressa. Os outros quatro (três agora, né?) também fazem parte da história, que não tem nada a ver com o universo das boybands e nem se passa na Inglaterra.

After acontece nos Estados Unidos, mais especificamente no estado de Washington, e começa no dia em que Tessa Young se muda para outra cidade do Estado para começar a faculdade. Tessa é certinha, metódica, tem uma mãe controladora e um namorado bom demais para ser verdade. Essa vida quadrada tem os dias contados, pois assim que chega ao dormitório da universidade, dá de cara com Steph, sua colega de quarto, vestida nas roupas mais curtas que já viu na vida e mais tatuada que o Adam Levine. A visão deixa sua mãe em pânico, que implora para que a filha mude de quarto, mas ela resolve ficar. Essa decisão desencadeou um outro encontro com uma alma totalmente oposta a sua. Vestindo seu preto habitual, piercings na boca e na sobrancelha e tatuagens que cobrem toda a extensão de seus braços, surge um dos melhores amigos de Steph: Hardin Scott.

Hardin é a pessoa mais diferente que Tessa já conheceu. Ao ser convencida por Steph a ir a uma festa na fraternidade em que ele mora, Tessa acaba invadindo o quarto dele e despertando o que há de mais forte no espírito de Hardin até aquele momento: sua ira. Não são poucas as vezes em que Tessa é vítima da raiva e dos comentários sarcásticos de Hardin, sempre alfinetando suas roupas longas demais, seu jeito certinho e a maneira com que se comporta durante as aulas. Bem, até o momento em que Tessa rouba um beijo dele. Exatamente. A garota mais certinha do universo roubando um beijo do cara mais raivoso de todo o mundo. Por mais que os beijos acabem se tornando frequentes, Hardin deixa algo bastante claro: ele não namora. Então, como Tessa terminaria com o maravilhoso Noah para viver algo imprevisível com Scott?

“Você não faz o meu tipo, assim como eu não faço o seu. Mas é por isso que fazemos tão bem um para o outro… somos ao mesmo tempo muito diferentes e muito parecidos. Uma vez você me disse que eu desperto o que existe de pior em você. Bom, você desperta o que existe de melhor em mim, Tessa.”  After, página 248.

“Eu te amo de um modo diferente. Noah era muito confortável para mim, parecia da família. Eu sentia que tinha que amar Noah, mas não amava, pelo menos não do jeito que amo você. Só quando me dei conta de que te amava foi que percebi como o amor era diferente do que eu pensava que fosse.” After, página 355.

Esse é apenas um dos primeiros problemas que esses dois enfrentarão. Acredite em mim: quando você pensa que nada mais de ruim pode acontecer, acontece. Hardin tem uma relação conturbada com o pai – o que Tessa tem em comum – e com sua nova família, a noiva Karen e o enteado Landon (Liam Payne), que é colega de sala de Tessa e acaba virando seu melhor amigo – e fazendo Hardin fumaçar só de imaginar os dois juntos. É através de Tess que Hardin começa a frequentar a casa do pai, dando pequenos passos rumo a uma reconciliação. Ao longo da saga, esses passos regridem, evoluem e dão uma reviravolta surpreendente. Preciso dizer que a história dos pais dele é algo a parte, uma trama bem elaborada que vai te fazer se questionar porque não percebeu os sinais antes.

Assim como o pai de Hardin, Ken, o pai de Tessa também era alcoólatra e abusava de sua mãe. Quando ainda era pequena, o pai saiu de casa e nunca mais voltou. Ao contrário de Ken, o pai dela nunca mais deu notícias. Os traumas de infância vão ser um dos pontos de conexão entre Hardin e Tessa. Outra coisa que os une é o amor pela Literatura; os livros são recheados de citações de Hemingway e Jane Austen e alguns capítulos até traçam alguns paralelos com livros desses autores, como Orgulho e Preconceito, por exemplo. Tessa sonha em trabalhar em uma editora e através de Hardin consegue um estágio na Vance Publishing, empresa de um amigo da família Scott.

O estágio também será um grande problema no relacionamento de Hessa (gosto do nome do casal haha) – Hardin tem ciúmes de qualquer homem que passe a 1 km de distância de Tessa e isso inclui seu colega de trabalho Trevor. O ciúme inclui até seus próprios amigos – principalmente Zed (Zayn Malik) que demonstra ter uma queda por Tess. Quando Hardin convence Tessa a se mudar com ele para um apartamento, outros problemas começam a ficar evidentes. Ele é extremamente possessivo, violento – perdi as contas de quantas vezes ele se envolveu em brigas na saga – e autoritário. A relação conturbada com a bebida também não facilitará a vida a dois.

A saga é marcada por mudanças – inclusive no sentido literal -, reviravoltas, momentos de tensão, de amor, de desejo e de violência. Talvez por isso seja tão difícil saber se gostei muito ou não dessa série. Se eu estivesse no lugar de Tessa e passasse pelas situações que ela passou com Hardin, correria longe. Chamaria a polícia. Pediria uma ordem de restrição.

Um sujeito indecente, bêbado e terrível acabou de dizer que precisa de mim, e por algum motivo isso soa como poesia aos meus ouvidos. Hardin é como uma droga para mim. Toda vez que sinto seu gosto, quero mais. Ele consome meus pensamentos e invade meus sonhos. – After, página 136.

No mundo dos livros, é possível acreditar em alguém mesmo depois dessa pessoa ter feito as piores coisas possíveis com e para você. Se o leitor não estiver imerso na história, vai chamá-la de louca, vai querer gritar “Acorda, Tessa! Foge desse cara!”, mas se estiver tão envolvido quanto eu, vai querer ver se o amor incondicional dela vai, de fato, transformar Hardin.

É o fim. Estou cansada desse vai e vem. Estou cansada e exausta, e não quero fazer mais isso. Você não me ama – você quer me possuir, e eu não vou permitir. Você é quebrado, Hardin, e eu não posso consertar você.” – After We Fell, tradução livre.

“É exatamente isso, Hardin, eu não quero ter que sobreviver. Eu quero viver.” – After We Fell.

Hardin Scott é intrigante. Por fora, é o cara durão, que está sempre de preto e pronto para arranjar briga com quem quer que seja. Por dentro, ele é um cara que acredita ser a pior pessoa do mundo, um cara cujos erros terríveis o consomem e não permitem que ele aceite que sim, pode ser amado. É por isso que ele vive afastando todas as pessoas que tentam se aproximar.

“Todo mundo está do seu lado, Hardin. Eu sei que você sente como se fosse você contra o mundo, mas olha ao seu redor. […] É irônico, de verdade, que o cara que mais odeia o mundo é o mais amado por ele.” After Ever Happy, tradução livre.

Me envolvi tanto com a história de Hardin e Tessa que eu não podia ouvir uma música sequer sem relacioná-la com algum momento da relação dos dois. A lista cresceu tanto que resolvi compartilhar com vocês. One Direction e Taylor Swift – coincidência ou não – foram os donos das músicas que mais me fizeram lembrar de Hessa. Vocês podem ouvir as músicas através da playlist que criei no meu canal do Youtube:

Quero muito saber o que vocês acharam desses livros! Me contem aqui nos comentários (onde estou livre para contar spoilers haha) ou através do Twitter @LivrosPipoca.

Para a saga After, de Anna Todd, dou 4 baldes de pipoca. 4pipocas