Desculpe o transtorno, precisamos falar sobre Harry Styles

harry1Sempre que um grupo faz sucesso – seja o elenco de um filme, série ou uma banda – acabamos, naturalmente, escolhendo o nosso favorito. Isso aconteceu com High School Musical, quando Efron era meu favorito. Aconteceu com RBD, quando Poncho era aquele que estava no pôster da parede do meu quarto. Com One Direction, não foi diferente. Posso dizer, com toda certeza, de que não foi pelos atributos físicos (os cinco são incríveis). Tinha alguma coisa naquele ser de cabelos cacheados que me fez olhar para ele com mais atenção. Talvez tenham sido as respostas sempre bem humoradas e dignas de alguém que não dá a mínima para estereótipos, os tweets que mais parecem códigos ou as fotos em preto e branco que ninguém entende.

Em 2014, perguntaram para os meninos o que eles procuram numa menina. A resposta do Liam foi “Mulher. Essa é uma importante característica”. A resposta do Harry? “Isso não é tão importante”. Aí você e eu paramos pra analisar a resposta desse cara que estava em uma banda super popular entre as mulheres e cuja imagem é construída para ser um destruidor de corações. Paramos pra analisar também as roupas que ele usa. Dono de um estilo próprio, Harry usa e abusa (não recebi nada da C&A, juro) de roupas “masculinas” e “femininas”, quebrando esses tabus. De novo, esse é um cara que ficou famoso por fazer parte de uma banda com super apelo ao público feminino. E ele não liga.

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Harry Styles é o garoto de de 22 anos (definitivamente não é “um garoto normal de 22 anos”, né, Zayn Malik?) cuja crítica ao Sea World em um show teve impacto maior que o de um documentário inteiro sobre o assunto. É o cara que inspirou um grupo de fãs a criar um crowdfunding para restaurar o Skylark, pequeno barco que ajudou na Evacuação de Dunquerque, na II Guerra Mundial. O barco está em péssimas condições e não pode ser usado na gravação do primeiro filme de Harry, Dunkirk, do diretor Christopher Nolan. Os fãs juntaram mais de seis mil euros para a restauração do barco.

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Eu resolvi falar do Harry porque nessa semana foram divulgadas as fotos da revista Another Man – na qual ele estampa três capas diferentes e é entrevistado por Paul MCCartney e Chelsea Hendler. É a sua primeira capa depois do anúncio do hiatus da banda. O recheio da revista é quase como um “raio-x” de quem Harry sempre mostrou ser, mas cujas manchetes, pôsteres e capas de CD não representavam.

Além do filme, os fãs podem esperar mais música vindo de Harry. Há alguns meses ele assinou um contrato com a Columbia Records, garantindo, pelo menos, mais um álbum. Tudo o que eu tenho a dizer é: Vem, Harry! E continue quebrando tabus e espalhando amor por esse mundo!

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Resenha: saga “After”, de Anna Todd

downloadConfesso que esta é provavelmente uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Não só por ter resolvido falar de quatro livros em um texto só, mas pelo fato do livro tratar de assuntos polêmicos de forma também polêmica. Confesso também que em diversos momentos tive uma relação de amor e ódio com a história e que em alguns capítulos eu não sabia se achava certo a maneira com que a autora estava lidando com problemáticas tão complexas. Aproximadamente 2.000 páginas depois, cá estou eu, tentando resumir para vocês a experiência de ter lido esta saga.

Os quatro livros (serão cinco no Brasil, publicados pela Paralela) foram adaptados de três fanfics da Anna Todd publicadas no Wattpad. As histórias tiveram um bilhão de visualizações e logo chamaram a atenção de uma editora, tornando a Anna Todd conhecida mundialmente. Diferentemente de Cinquenta Tons de Cinza, a fanfic de Todd não era baseada em personagens literários, e sim em um certo rapaz inglês, membro de uma famosa boyband e que já namorou a Taylor Swift. Sim, bookaholics! Um dos personagens principais dos livros é o Harry Styles – que acabou se tornando Hardin Scott na versão impressa. Os outros quatro (três agora, né?) também fazem parte da história, que não tem nada a ver com o universo das boybands e nem se passa na Inglaterra.

After acontece nos Estados Unidos, mais especificamente no estado de Washington, e começa no dia em que Tessa Young se muda para outra cidade do Estado para começar a faculdade. Tessa é certinha, metódica, tem uma mãe controladora e um namorado bom demais para ser verdade. Essa vida quadrada tem os dias contados, pois assim que chega ao dormitório da universidade, dá de cara com Steph, sua colega de quarto, vestida nas roupas mais curtas que já viu na vida e mais tatuada que o Adam Levine. A visão deixa sua mãe em pânico, que implora para que a filha mude de quarto, mas ela resolve ficar. Essa decisão desencadeou um outro encontro com uma alma totalmente oposta a sua. Vestindo seu preto habitual, piercings na boca e na sobrancelha e tatuagens que cobrem toda a extensão de seus braços, surge um dos melhores amigos de Steph: Hardin Scott.

Hardin é a pessoa mais diferente que Tessa já conheceu. Ao ser convencida por Steph a ir a uma festa na fraternidade em que ele mora, Tessa acaba invadindo o quarto dele e despertando o que há de mais forte no espírito de Hardin até aquele momento: sua ira. Não são poucas as vezes em que Tessa é vítima da raiva e dos comentários sarcásticos de Hardin, sempre alfinetando suas roupas longas demais, seu jeito certinho e a maneira com que se comporta durante as aulas. Bem, até o momento em que Tessa rouba um beijo dele. Exatamente. A garota mais certinha do universo roubando um beijo do cara mais raivoso de todo o mundo. Por mais que os beijos acabem se tornando frequentes, Hardin deixa algo bastante claro: ele não namora. Então, como Tessa terminaria com o maravilhoso Noah para viver algo imprevisível com Scott?

“Você não faz o meu tipo, assim como eu não faço o seu. Mas é por isso que fazemos tão bem um para o outro… somos ao mesmo tempo muito diferentes e muito parecidos. Uma vez você me disse que eu desperto o que existe de pior em você. Bom, você desperta o que existe de melhor em mim, Tessa.”  After, página 248.

“Eu te amo de um modo diferente. Noah era muito confortável para mim, parecia da família. Eu sentia que tinha que amar Noah, mas não amava, pelo menos não do jeito que amo você. Só quando me dei conta de que te amava foi que percebi como o amor era diferente do que eu pensava que fosse.” After, página 355.

Esse é apenas um dos primeiros problemas que esses dois enfrentarão. Acredite em mim: quando você pensa que nada mais de ruim pode acontecer, acontece. Hardin tem uma relação conturbada com o pai – o que Tessa tem em comum – e com sua nova família, a noiva Karen e o enteado Landon (Liam Payne), que é colega de sala de Tessa e acaba virando seu melhor amigo – e fazendo Hardin fumaçar só de imaginar os dois juntos. É através de Tess que Hardin começa a frequentar a casa do pai, dando pequenos passos rumo a uma reconciliação. Ao longo da saga, esses passos regridem, evoluem e dão uma reviravolta surpreendente. Preciso dizer que a história dos pais dele é algo a parte, uma trama bem elaborada que vai te fazer se questionar porque não percebeu os sinais antes.

Assim como o pai de Hardin, Ken, o pai de Tessa também era alcoólatra e abusava de sua mãe. Quando ainda era pequena, o pai saiu de casa e nunca mais voltou. Ao contrário de Ken, o pai dela nunca mais deu notícias. Os traumas de infância vão ser um dos pontos de conexão entre Hardin e Tessa. Outra coisa que os une é o amor pela Literatura; os livros são recheados de citações de Hemingway e Jane Austen e alguns capítulos até traçam alguns paralelos com livros desses autores, como Orgulho e Preconceito, por exemplo. Tessa sonha em trabalhar em uma editora e através de Hardin consegue um estágio na Vance Publishing, empresa de um amigo da família Scott.

O estágio também será um grande problema no relacionamento de Hessa (gosto do nome do casal haha) – Hardin tem ciúmes de qualquer homem que passe a 1 km de distância de Tessa e isso inclui seu colega de trabalho Trevor. O ciúme inclui até seus próprios amigos – principalmente Zed (Zayn Malik) que demonstra ter uma queda por Tess. Quando Hardin convence Tessa a se mudar com ele para um apartamento, outros problemas começam a ficar evidentes. Ele é extremamente possessivo, violento – perdi as contas de quantas vezes ele se envolveu em brigas na saga – e autoritário. A relação conturbada com a bebida também não facilitará a vida a dois.

A saga é marcada por mudanças – inclusive no sentido literal -, reviravoltas, momentos de tensão, de amor, de desejo e de violência. Talvez por isso seja tão difícil saber se gostei muito ou não dessa série. Se eu estivesse no lugar de Tessa e passasse pelas situações que ela passou com Hardin, correria longe. Chamaria a polícia. Pediria uma ordem de restrição.

Um sujeito indecente, bêbado e terrível acabou de dizer que precisa de mim, e por algum motivo isso soa como poesia aos meus ouvidos. Hardin é como uma droga para mim. Toda vez que sinto seu gosto, quero mais. Ele consome meus pensamentos e invade meus sonhos. – After, página 136.

No mundo dos livros, é possível acreditar em alguém mesmo depois dessa pessoa ter feito as piores coisas possíveis com e para você. Se o leitor não estiver imerso na história, vai chamá-la de louca, vai querer gritar “Acorda, Tessa! Foge desse cara!”, mas se estiver tão envolvido quanto eu, vai querer ver se o amor incondicional dela vai, de fato, transformar Hardin.

É o fim. Estou cansada desse vai e vem. Estou cansada e exausta, e não quero fazer mais isso. Você não me ama – você quer me possuir, e eu não vou permitir. Você é quebrado, Hardin, e eu não posso consertar você.” – After We Fell, tradução livre.

“É exatamente isso, Hardin, eu não quero ter que sobreviver. Eu quero viver.” – After We Fell.

Hardin Scott é intrigante. Por fora, é o cara durão, que está sempre de preto e pronto para arranjar briga com quem quer que seja. Por dentro, ele é um cara que acredita ser a pior pessoa do mundo, um cara cujos erros terríveis o consomem e não permitem que ele aceite que sim, pode ser amado. É por isso que ele vive afastando todas as pessoas que tentam se aproximar.

“Todo mundo está do seu lado, Hardin. Eu sei que você sente como se fosse você contra o mundo, mas olha ao seu redor. […] É irônico, de verdade, que o cara que mais odeia o mundo é o mais amado por ele.” After Ever Happy, tradução livre.

Me envolvi tanto com a história de Hardin e Tessa que eu não podia ouvir uma música sequer sem relacioná-la com algum momento da relação dos dois. A lista cresceu tanto que resolvi compartilhar com vocês. One Direction e Taylor Swift – coincidência ou não – foram os donos das músicas que mais me fizeram lembrar de Hessa. Vocês podem ouvir as músicas através da playlist que criei no meu canal do Youtube:

Quero muito saber o que vocês acharam desses livros! Me contem aqui nos comentários (onde estou livre para contar spoilers haha) ou através do Twitter @LivrosPipoca.

Para a saga After, de Anna Todd, dou 4 baldes de pipoca. 4pipocas