Maratona #Oscar2015 – Whiplash

A melhor época do ano chegou (na verdade, já está quase acabando, mas eu só arranjei tempo para essa “cobertura” agora haha) – a temporada de premiações de Hollywood! Os indicados ao prêmio mais cobiçado do Cinema já foram divulgados e você vai acompanhar, a partir de hoje, resenhas dos filmes que estão concorrendo à estatueta. Não sei por qual motivo, mas comecei a assistir aos filmes por uma ordem estranha (do que eu achei que menos ia gostar ao que acredito que será meu favorito), mas vejam só: já errei. Comecei a maratona com Whiplashna verdade, comecei com Foxcatcher, quando achei que o filme fosse ser indicado. Graças aos deuses do cinema, não foi. filme que já vinha criando Oscar buzz há vários meses, junto com White Bird in a Blizzard (mas esse não apareceu nas listas). whip-7

Enfim, espero que estejam prontos para fazer essa maratona comigo e que fiquem empolgados até o momento da linha de chegada, no dia 22 de Fevereiro, quando as estrelas se alinharão no tapete vermelho mais vigiado do ano, torcendo para que não caiam (olá, Jennifer Lawrence), lançando um olhar maléfico para o ex-marido ou ex-esposa que está cruzando o tapete vermelho com o parceiro (a) atual e rezando para que aquele ator/atriz que conseguiu o papel que essa estrela tanto queria não vá embora com uma estatueta.

Whiplash, dirigido e escrito por Damien Chazelle, conta a história de um jovem baterista, chamado Andrew, que almeja entrar na banda de um carrasco professor da sua universidade. O professor, Terence Fletcher, é temido por todos os alunos – daquele tipo que ao passar no corredor faz com que todos prendam a respiração por medo ou ansiedade. Andrew não se deixava intimidar por isso, uma vez que a banda seria a porta de entrada para a realização de seu maior sonho: ser o melhor baterista de todos ou estar entre os melhores. Em alguns momentos do filme, você se depara com alguns relances do perfil egocêntrico de Andrew, mas isso não faz com que você odeie o personagem. Pelo contrário, isso faz com que você se pergunte se existe algum motivo para que ele seja assim. É aqui que entramos num dos pontos que, para mim, são primordiais neste filme: a maneira com que o roteiro brinca com a questão dos losers e da perfeição. O pai de Andrew deseja ser escritor, mas é professor de Literatura do Ensino Médio. A garota por quem Andrew se apaixona está na faculdade mas ainda não sabe qual carreira seguir. Andrew não quer fracassar. Andrew não quer ser esquecido. Andrew está disposto a sangrar (literalmente) pelo seu sonho. Whiplash-4934.cr2

É o encontro com o professor Fletcher, que é um perfeccionista nato, que muda a vida dele. O momento em que Andrew é surpreendido com o convite – que mais parece uma sentença de morte de acordo com o tom do professor –  para entrar na banda, é um dos únicos em que o vemos sorrir. A relação dos dois em busca da perfeição é doentia, faz você se perguntar até onde iria e o quanto estaria disposto a se desgastar por um sonho. O filme é incrível – se você descontar um momento aqui e ali em que cai na monotonia – e a dupla Miles Teller (Andrew) e J.K Simmons (Fletcher) vai fazer você se contorcer de raiva, de pena, de angústia e vai te despertar outros sentimentos também.

Para mim, apenas um fio ficou solto no roteiro: a história de Fletcher. Tudo o que vemos é um homem de personalidade forte, que não se importa com o que os outros pensam, na verdade, ele não se importa com ninguém além de si mas não somos apresentados a outras nuances da vida dele. O que eu quero dizer é que talvez o roteiro tenha falhado um pouco ao mostrar só um lado do Fletcher e ter “omitido” as razões por ele ser daquele jeito. Sim, existe um momento no filme em que ele admite ser perfeccionista e diz que adora levar as pessoas ao seus limites, mas o motivo para aquilo tudo não é mostrado em momento algum (não que eu tenha percebido. Se você assistiu e percebeu, por favor me conte nos comentários).

Whiplash concorre a 5 estatuetas do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (J.K Simmons), Melhor Roteiro Adaptado, Edição de Vídeo e Sound Mixing. Confesso que talvez o meu amor pelo Miles Teller tenha me feito ver as coisas de uma forma diferente, mas acredito que ele merecia estar nas listas de alguns dos prêmios desta temporada. É interessante ver a maneira com que ele trabalha com o drama, uma vez que sua zona de conforto é a comédia.

O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros (de acordo com o Omelete) e você pode assistir ao trailer aqui:

Para Whiplash, dou cinco baldes de pipoca. 561a7-5pipocas

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Resenha: Divergente – Veronica Roth

divergentecapa Eu não sei por que demorei tanto para ler Divergente. Talvez por medo de me decepcionar e não ser tudo aquilo que todo mundo fala ou por um medo maior ainda: o de ficar viciada. Bem, o que aconteceu foi: o livro é muito mais do que falam e sim, eu fiquei viciada. Não tem como não ser totalmente envolvida pela história e sentir a energia de todas as reviravoltas. Minha experiência com Divergente não foi somente mental, ela também foi física. Por diversas vezes eu me senti tão nervosa, ansiosa e amedrontada quanto os personagens e não foram poucas as vezes em que olhei para a tela do Kindle e tentei conversar com a Veronica Roth (para agradecê-la ou xingá-la).

Não tem como não se sentir parte daquele mundo distópico. Nele, todas as pessoas foram divididas em facções de acordo com sua vontade ou habilidade. Elas são: Amizade – as mais felizes, que passam o tempo colhendo maçãs e cantando; Erudição – a facção dos intelectuais; Abnegação: onde todos os altruístas pertenciam e, por isso, eram escolhidos para governar a cidade; Franqueza: todos aqueles que não conseguiam mentir deveriam fazer parte; e, por fim, a Audácia: a facção dos corajosos, dos que controlam o medo e protegem a cidade de todos os perigos.

A história gira em torno de Beatrice Prior, que faz parte da Abnegação porque é à ela que seus pais pertencem. Logo no início, o leitor sente como é fazer parte desta facção: deve-se abdicar de qualquer forma de egoísmo e individualidade e viver ajudando aos outros. Não podem olhar-se em um espelho por muito tempo ou comemorar aniversários, pois ambos seriam atos de autocomplacência. Beatrice e seu irmão, Caleb, finalmente atingem a idade em que podem prestar os Testes de Aptidão, que os ajudarão a escolher qual facção querem realmente pertencer: ficar na Abnegação, onde uma vida própria não era possível e todos tinham de andar nas ruas com suas roupas acinzentadas e cortes de cabelo parecidos para que não atraíssem atenção para si mesmos ou aventurar-se numa nova facção – e, com isso, trair sua família.

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Tudo parece estar correndo bem até o dia em que Beatrice faz seu Teste de Aptidão e descobre que não se encaixa em nenhuma das facções: ela não é altruísta o suficiente para a Abnegação, bondosa o bastante para a Amizade, inteligente para a Erudição, totalmente honesta para Franqueza ou extremamente corajosa para a Audácia. Beatrice Prior é uma Divergente. Mas o que isso significa? Até então, ela nunca tinha ouvido falar sobre Divergentes. E continuou sem saber muito. Tudo o que ela sabia é que deveria ficar calada, não dizer para ninguém o resultado e assim, jamais revelar o que de fato era.

Ao decidir a que facção gostaria de pertencer na Cerimônia de Escolha, ela não fazia ideia do quanto isso mudaria sua vida e a faria conhecer lados de si mesma que nunca pensou que existissem. Ela também não esperava que fosse necessária uma seleção dentre aqueles que decidiram fazer parte daquela facção e que nem todos teriam a oportunidade. Os que ficassem de fora se tornariam sem-facções e viveriam nas ruas, dependendo da solidariedade da Abnegação.

Ser escolhida para a tal facção não será fácil. Beatrice terá de lidar com dilemas em relação à amizade e aprender a combater seu pior inimigo: si mesma. O medo é algo que tem bastante destaque na história e dá ritmo a ela. Você torce para que os medos sejam vencidos e começa a pensar nos seus próprios e em como seria se tivesse que lidar com eles daquela forma.

–          “Meu instinto imediato é de pressionar você até que você ceda, só para ver o quanto terei de empurrar”.

–          “Por que… – Engulo em seco. – Por que este é o seu instinto imediato?

–          Porque o medo não faz com que você se apague; ele faz com que você acenda.”

divergenteÉ justamente para treiná-la para superar os medos e os inimigos que surge Quatro, o instrutor dos iniciandos. Misterioso, firme e um tanto assustador, ele vai te deixar curiosa para saber o que há por trás de toda aquela seriedade e bravura e o que o levou até ali. Intrigante seria uma boa forma de defini-lo. Confesso que nunca li algo em que a eletricidade entre dois personagens fosse tão palpável. O que conecta Quatro e Beatrice é tão forte que você se sente como um deles enquanto lê.

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Veronica Roth tem o poder de não deixar a história ficar monótona em momento algum. Quando você finalmente lembra de respirar – e de limpar suas mãos suadas na calça tanto quanto Beatrice faz – surge outra coisa na história que leva sua sanidade embora. É dramático, irônico e por muitas vezes engraçado. Há um tom de crítica presente na história – o que geralmente aparece em distopias – e ela se refere não só ao caráter das pessoas e a forma como elas se definem (como se só pudessem ter uma postura: ser franco, audacioso, bondoso, solidário ou esperto), mas também ao Governo em geral. A corrupção desencadeia os principais acontecimentos do livro e testa até que ponto as pessoas podem ser submissas e manipuladas.

Divergente tem um plano de fundo sério, que merece ser discutido, e personagens que cativam – mesmo que das formas mais estranhas possíveis. Para ele, dou 5 baldes de pipoca sem pensar duas vezes!561a7-5pipocas

A adaptação do livro estreia nos cinemas em Março do ano que vem e já tem um teaser de mais de um minuto que definitivamente merece ser visto! Shailene Woodley (repararam o quanto esta mulher está sendo citada no blog? Não tenho culpa se ela se envolve em todos os projetos que me animo para ver!) é Beatrice, Theo James (se você assiste Downton Abbey vai reconhecê-lo, mesmo que só tenha aparecido em um episódio) é Quatro, Kate Winslet (eu preciso mesmo dizer quem é Kate Winslet?) é Jeanine, a líder da Erudição, Miles Teller (lindo!!!) é Peter, um dos iniciandos na facção e Ansel Elgort (Augustus-Freaking-Waters) é Caleb, irmão de Beatrice. Como lidar com um filme em que Hazel e Gus são irmãos? Não sei!

E você, já leu Divergente? Está ansioso (a) para o filme? Comente aqui embaixo e surte comigo!

Jen

Resenha: Footloose – Ritmo Contagiante

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Todo fã de musicais e todo cinéfilo de plantão já assistiu Footloose com Kevin Bacon algumas dezenas  de vezes. E como todo filme que deu muito certo no passado, um remake foi anunciado. Houve muita  confusão antes das gravações desse filme. O papel era de Zac Efron (naquela época, ele havia acabado de  filmar High School Musical 3), e com toda a pressão em cima dele do tipo “será que ele é só uma carinha  bonita? Será que é só um dançarino?”, ele acabou desistindo, para optar por papeis mais dramáticos, como  no filme Eu e Orson Welles. Quando Zac saiu, Chace Crawford (Nate!!!) pegou o papel. E desistiu logo em    seguida. Com tudo isso, era improvável que o filme passasse de um mero script, até o momento em que  Kenny Wormald surge.
Junto a ele, Julianne Hough (Rock of Ages) e o hilário Miles Teller (Divergente), em um filme empolgante e  bonito de se ver.

A história, todo mundo já conhece. Ren MacCormack chega a uma cidadezinha interiorana, após a morte de sua mãe, com uma fama de encrenqueiro. Como toda boa cidade de interior, a fofoca acontece rapidamente, e todos querem proteger suas filhas do troublemaker de Boston. Principalmente o Reverendo Moore (Dennis Quaid), que se sente responsável por toda a cidade após uma tragédia envolvendo  seu filho.

foot É justamente com a filha do Reverendo que Ren se envolve, Ariel Moore (Julianne  Hough), que  está perdida desde o acontecido com seu irmão. Esta é a receita para uma  infinidade de  problemas, que têm como principal a lei que o Reverendo e outros políticos da  cidade  aprovaram: era probido dançar na cidade. MacCormack, com seu melhor amigo Willard  (Miles  Teller) não pretende deixar que essa proibição seja eterna. E é aí que o filme se  desenrola, com  muitas questões conservadoras, com dilemas familiares e muito humor. O  personagem de  Teller é o responsável por esta última parte, e é impossível não rir a cada vez  que ele surge na  tela.

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Não posso deixar de falar sobre a trilha sonora, claro. Para fãs de Country como eu, é emocionante ouvir Blake Shelton cantando Footloose, que embala uma das melhores cenas do filme. Victoria Justice (Victorious) e Hunter Hayes unem suas vozes em Almost Paradise. Além das exclusivas para o filme, a trilha conta com CeeLo Green, Wiz Khalifa, Smashing Pumpkins e Zac Brown Band.
Com números de dança maravilhosos e boas mensagens por trás dos diálogos e acontecimentos do filme, Footloose – Ritmo Contagiante, é uma boa pedida. E o download da trilha sonora também!
Diretor: Craig Brewer
Roteirista: Dean Pitchford
Duração: 113 minutos
Elenco: Kenny Wormald, Julianne Hough, Dennis Quaid, Miles Teller, Kim Dickens, Andie MacDowell.

P.S: Miles Teller e Zac Efron acabaram trabalhando juntos. Are We Officially Dating?, sem tradução oficial, deverá ser lançado ano que vem. Dennis Quaid e Zac também já foram co-stars em At Any Price, que estreia ainda este ano.

Para Footloose – Ritmo Contagiante, dou 4 baldes de pipoca! (boa parte pela trilha do filme, preciso dizer).

Resenha: Um Homem de Sorte - Nicholas Sparks